segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Eliane Calmon, uma mulher de valor

Ao longo do ano passado publicamos 26 posts sobre política. Infelizmente, na sua grande maioria, falamos de corrupção e do mau uso do dinheiro público. Palocci, Carlos Lupi, Orlando Silva, Pedro Novaes, Wagner Rossi, Alfredo Nascimento, Jaqueline Roriz, José Roberto Arruda e Marcos Valério, entre outros, desfilaram, com fortes denúncias de corrupção, em nossos comentários.

Hoje, vamos falar de uma personagem sobre a qual recaem fortes suspeitas de se tratar de uma verdadeira servidora pública, na melhor acepção da palavra, ave rara na administração pública, lamentavelmente. Trata-se da Eliane Calmon, brilhante Ministra Corregedora do Conselho Nacional de Justiça.

A Justiça brasileira sempre foi intocável, um órgão acima de qualquer suspeita, uma verdadeira “caixa preta”. Quando vivíamos sobre as diversas ditaduras que permearam a história de nosso país, essa condição era aceita sem maiores discussões, pois quando não há liberdade, o poder é sempre inquestionável.

Com a implantação da democracia, a partir de 1985, o país passou a viver uma nova realidade, criando condições favoráveis para diversas reformas, inclusive a do Judiciário, que por meio da emenda constitucional número 45, de 30 de dezembro de 2004, criou, entre seus dispositivos, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), encarregado de controlar a atuação administrativa e financeira dos demais órgãos daquele poder, bem como de supervisionar o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. Finalmente, surgiu um controle externo, embora o CNJ faça parte do poder judiciário.

Dentro de suas atribuições o CNJ vem fazendo um trabalho eficiente e importante, atuando em todo o território nacional.

No ano passado um dos seus membros, a Corregedora Eliane Calmon ganhou notoriedade, ao declarar que existiam bandidos escondidos atrás da toga. Essa declaração gerou manifestações (positivas e negativas) em órgãos e entidades ligadas à justiça.

A reação negativa foi liderada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluzo, que declarou nunca ter lido nada mais grave. Diversas entidades de classe da magistratura acompanharam o ministro do STF, repudiando a declaração da Corregedora.

Por outro lado, integrantes da cúpula do Judiciário que defendem o CNJ, afirmaram que o órgão age com transparência e representam o aprimoramento da democracia.

Agora, a grande polêmica que envolve o poder judiciário, gira em torno do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, enviado ao STF pela Corregedora Eliane Calmon. Nele são apontadas as movimentações financeiras atípicas de 369 juízes e servidores dos tribunais, que no período de 2000 a 2010 movimentaram R$855,7 milhões. Naturalmente que nem toda movimentação atípica significa corrupção, mas, provavelmente, neste montante haverá muita irregularidade.

A gritaria foi geral e, novamente, a ministra Eliane Calmon foi duramente criticada pela ala conservadora do Judiciário. No entanto, quem solicitou o relatório ao COAF, nem foi Eliane Calmon, e sim o seu antecessor, o ministro Gilson Dipp, em 2010. As informações, porém, chegaram no inicio de 2011, quando Eliane já havia assumido a função no lugar de Dipp.

Ao contrário do que afirmam diversas entidades de classe dos magistrados não foi solicitada qualquer investigação e muito menos devassa sobre os juízes e funcionários, solicitou-se apenas se havia registro de operações atípicas em relação àqueles sujeitos a fiscalização do CNJ.

Caberá ao STF decidir a questão no seu retorno das férias, no inicio de fevereiro próximo, mas a ministra Eliane Calmon já pode ser considerada uma vencedora diante da opinião pública, pois é inconcebível que o judiciário não possa ser investigado.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Incompetência, politicagem e mau uso do dinheiro público provocam centenas de mortes nas enchentes, todos os anos.


O Serviço de Meteorologia informa: todos os anos, no verão, teremos chuvas fortes.

Por outro lado temos um crescimento urbano fora de controle, ocupando áreas de alto risco, sob a complacência dos órgãos públicos, um descarte de lixo nas áreas públicas por uma população mal educada, além da péssima distribuição das verbas para o combate aos desastres e a inevitável corrupção. Eis aí o quadro completo para a repetição das tragédias, ano após ano. Não é concebível brincar com vidas humanas, num país onde não faltam recursos, mas há uma carência enorme de planejamento, responsabilidade e caráter por quem deveria trabalhar para o bem comum.

No ano passado foi o Rio de Janeiro, o estado mais atingindo pelas chuvas, com grande número de mortes, principalmente, no morro do Bumba e em Angra dos Reis. Agora, o estado de Minas Gerais e, novamente, o Rio de Janeiro estão devastados pelas chuvas torrenciais, sendo Sapucaia, o município com maior número de mortes.

No meio dessa tragédia, descobre-se que o Ministério da Integração Nacional destinou 90% das verbas para controle das enchentes para Pernambuco, estado do ministro Fernando Bezerra. O ministro é acusado também de privilegiar sua base eleitoral em Petrolina (PE), liberando emendas de seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE), com o maior volume de liberação de emendas parlamentares de sua pasta em 2011. Há também a denúncia que o ministro espalhou seus familiares na máquina pública federal.

E o que faz o governo? Depois da tragédia instalada, a presidente antecipa a volta das férias, convoca os ministros envolvidos, que não deveriam tirar férias nesta época, mas também estavam, despreocupadamente, refestelando-se em algum paraíso turístico. Aí fazem inúmeras reuniões, criam uma força-tarefa, uma verdadeira ação para “apagar incêndio”, no meio de tanta água. Seria cômico, se não fosse trágico.

E o que esperar desse pacote de medidas emergenciais? Se basearmos nos anos anteriores, quando houve muito barulho e pouca ação, pois ainda temos desabrigados das enchentes de 2008, nada será resolvido. O mais lamentável é todos sabem, perfeitamente, qual seria a solução definitiva: remoção das populações em áreas de risco, multa por ocupação e descartes de lixo irregulares, aumento da área verde, proteção da mata de encosta de morros, preservação de do curso natural de rios, melhor colheita de lixo, etc.  

Como, provavelmente, nada disso será feito, podemos aguardar para o próximo ano, as mesmas chuvas, os mesmos desabamentos, os mesmos desabrigados e desalojados e, o pior, possivelmente, um maior número de mortos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Congresso Nacional não se interessa em criar mecanismos legais para o combate à corrupção


O ano de 2011 ficou marcado na política brasileira pelo grande número de denúncias de corrupção, principalmente, nos ministérios. A imprensa fez tanto barulho e houve tanta indignação popular que seis ministro foram afastados. Chegamos ao fundo do poço, a corrupção se tornou institucionalizada e se espalhou pelos três poderes e pelos três níveis de governo, um espanto!
Diante de tanta roubalheira, de tantas falcatruas com o dinheiro público era de se esperar uma atuação do Congresso Nacional para, pelo menos, criar mecanismos legais para controlar, dificultar a ação criminosa dos agentes públicos e punir com rigor os desvios de conduta. Realmente houve uma grande movimentação neste sentido. Segundo a Frente Parlamentar Mista de Combate a Corrupção existem, hoje, no Congresso, 139 propostas que visam o combate à Corrupção. No entanto, apenas uma, o Projeto de Lei 3443/08, do Senado, que amplia o número de operações sobre as quais devem ser remetidas informações ao Conselho de Controle da Atividade Financeira (Coaf) para combater a lavagem de dinheiro, conforme disciplina a Lei 9.613/98. Devido às mudanças votadas pela Câmara, o projeto retornou ao Senado. Aprovar uma proposta entre 139 é muito pouco, é quase nada. O próprio presidente da Frente, o deputado Francisco Praciano, do PT do Amazonas, disse que não há interesse da casa em votar as propostas apresentadas. Há de se considerar também que não há empenho do poder executivo, uma vez que a pauta do congresso sofre pressão e influencia direta da presidência da república.
Resta, no entanto, uma esperança. No inicio de dezembro passado, a citada frente parlamentar sugeriu à presidente Dilma Rousseff um Pacto Contra a Corrupção e a Impunidade, a ser celebrado pelos Três Poderes da República. A indicação foi protocolada junto à Mesa Diretora da Câmara. O propósito dessa sugestão é o combate institucional e sistêmico da corrupção, e não o combate pessoal e pontual que vem sendo feito pela Polícia Federal.
O deputado Francisco Praciano foi enfático ao afirmar que "A Frente este ano assumiu que o mais importante não é tratar de escândalos, nem dos escândalos, nem da corrupção concreta, pontual, nem dos corruptos. A gente priorizou ações estruturantes, ações que aperfeiçoam o Estado brasileiro pra evitar isso."
Francisco Praciano afirmou também que o Brasil convive historicamente com escândalos, mas que, de 2003 até agora, a Polícia Federal realizou 1400 operações e prendeu cerca de 17 mil pessoas, muitas delas envolvidas em corrupção, tendo mais de 3 mil servidores sido afastados ou demitidos do serviço público.
Vamos aguardar. Quem sabe teremos boas notícias no decorrer de 2012.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Goleada do Barcelona sobre o Santos evidencia a superioridade do futebol espanhol

                   
Ontem assistimos a mais um show de futebol do fantástico time do Barcelona. Os 4x0 sobre o Santos não representaram com precisão o que ocorreu nos noventa minutos de jogo, pois a superioridade da equipe espanhola merecia um placar bem mais elástico. Foi um jogo de um time só. Os santistas apenas assistiram aos comandados de Messi mostrar como se joga futebol. Hoje o time catalão não tem adversário à altura. No último sábado ganhou do Real Madrid, em pleno Santiago Barnabéu, por 3x1. Nessa partida, pelo menos, houve reação, houve até um pequeno predomínio do time madrilhenho nos primeiros vinte minutos, houve jogo. Ontem não. Um verdadeiro massacre, um “chocolate”. Ficou claro, para quem quer ver, a grande inversão de valores que ocorreu nos últimos anos. No passado os brasileiros praticavam o chamado “futebol arte”, enquanto os europeus o “futebol força”. Eles assimilaram nossa arte e nós, estupidamente, aprendemos a jogar com “pegada”, utilizando jogadores altos, fortes e sem técnica, dando trombadas e chutões para frente.

O futebol brasileiro involuiu e a grande responsabilidade por esse atraso é dos técnicos “retranqueiros”, que passaram a ser supervalorizados pela imprensa esportiva, estão ganhando salários altíssimos e acabando com o verdadeiro futebol brasileiro.

Tudo começa com as categorias de base, onde os garotos são pressionados a ganhar a qualquer preço, quando deveriam ser educados a competir com esportividade e, principalmente, deveriam ter liberdade para criar. Antigamente, os garotos aprendiam a jogar futebol nos campinhos de várzea, hoje aprendem a “bater” nas escolinhas de futebol e nas categorias de base dos times profissionais. E para participar, o garoto precisa ter altura e físico, senão nem treina.

Com essa política burra, hoje não temos mais armadores no futebol. Aqui mesmo neste espaço, no ano passado, eu escrevi que os melhores armadores do futebol brasileiro eram argentinos, na época, Conca, Montillo e D’Alessandro. O único jogador brasileiro que parecia ser um grande armador é o Paulo Henrique Ganso, mas que depois que se contundiu seriamente, nunca mais voltou a apresentar aquele futebol vistoso.

No meu post de 10 de dezembro último, sobre a brilhante vitória do Barça sobre o Real Madrid, eu falava da diferença entre o futebol apresentado por esta máquina de jogar bola e o futebol brasileiro: “sem violência gratuita, sem simulação de pênaltis, sem chutões para o alto e sem corriqueiro cai-cais tão comuns no futebol brasileiro”

Agora, depois dessa humilhante derrota de nosso futebol, os comentarias esportivos, aqueles mesmos que enalteciam os técnicos que jogavam com zagueiros “brutamontes”, volantes “brucutus” e centroavantes “postes”, como o próprio Muricy, são unanimes em criticar e pedir mudanças urgentes.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Eleitores do Pará deram demonstração de civismo e responsabilidade


A tentativa de criar dois novos estados, Carajás e Tapajós, dividindo o estado do Pará em três, foi barrada pelos eleitores que disseram “não” a esta proposta que iria inchar ainda mais a já robusta máquina estatal brasileira.

É claro que as duas regiões que iriam se transformar em estados são carentes e abandonadas pelo poder público, como o restante do estado, que vem sendo pessimamente administrado há décadas. A questão não é, simplesmente, de dar autonomia às regiões e sim melhorar a gestão pública do estado.

Atualmente, apesar da administração caótica do Pará, o estado apresenta um pequeno superávit orçamentário. Com a transformação do Pará em três estados, estima-se que cada um deles teria um déficit de 1 bilhão, que seria pago, como sempre, por todos nós, contribuintes.

O grande problema reside no fato de que nossa Constituição exige que seja replicada em cada unidade toda a estrutura da união, ou seja, Executivo, Legislativo e Judiciário. Os custos são gerados pela instalação de uma sede de governo, uma Assembléia Legislativa, diversas secretarias de estado, milhares de cargos comissionados, órgãos de apoio, etc. Cria-se também uma despesa anual com salários e custeios que podem superar a R$30 milhões para cada novo estado. Teríamos também novos senadores que provocariam um custo de R$150 mil só em salários.

Antes de propor a criação de um novo estado é necessário garantir que ele seja, pelo menos, auto-sustentável. Já temos centenas de municípios espalhados por todo Brasil sem a menor condição financeira de existir e que foram criados pela irresponsabilidade de nossos políticos. Esses municípios servem apenas para enriquecer os políticos do poder executivo e legislativo que os controlam, enquanto a população vive na miséria.  A criação de um novo estado deveria ser precedida de um estudo sério de viabilidade econômica.

É bom lembrar que existem na Câmara dos Deputados onze projetos para criação de novos estados. Um espanto! Esperamos que os eleitores desses estados, quando consultados, tenham o mesmo nível de responsabilidade e bom senso apresentados pelos paraenses.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Barcelona 3 x 1 Real Madrid, Uma aula de futebol


Acabo de assistir ao jogo entre as duas maiores forças do futebol espanhol, realizada hoje no estádio Santiago Barnabéu, em Madri, campo do Real. Foi um show de bola, demonstrando claramente o estágio superior dessas duas equipes. Jogo duro, disputadíssimo, envolvente, mas leal, sem violência gratuita, sem simulação de pênaltis, sem chutões para o alto e sem o corriqueiro cai-cai tão comum nos jogos do futebol brasileiro.

Outra diferença marcante foi o comportamento dos dois técnicos, José Mourinho, do Real Madri e Pep Guardiola, do Barcelona em relação aos técnicos brasileiros. Os dois são, juntamente com o técnico Alex Fergusun, do Manchester United, os três finalistas para o prêmio de melhor técnico do ano. Eles se mostraram serenos e tranqüilos e a maior parte do tempo, sentados. Aqui estamos acostumados a ver a palhaçada que os treinadores fazem, gesticulando e esbravejando o tempo todo, em pé, a beira do gramado.

O jogo começou eletrizante. Logo aos 25 segundos, o Real Msdrid abriu o placar, após uma falha do goleiro Victor Valdez, Benzema finalizou bem.

O Real Madrid conseguia marcar bem a saída de bola, anulando a maior arma do time catalão, que é o toque rápido e envolvente. Foi assim que o Real conseguiu criar mais uma grande oportunidade de gol, quando Cristiano Ronaldo frente a frente com Valdés, chutou para fora. O Real Madrid seguiu com um ligeiro dominio da partida até os 25 minutos, quando o Barcelona equilibrou a partida e conseguiu seu gol de empate, aos 29, através de Alex Sánches, aproveirando um excelente passe do genial Messi. Daí em diante o Barça passou dominar a partida e terminou o primeiro tempo com mais posse de bola.

Logo no inicio do segundo tempo, aos sete minutos, Xavi chutou da entrada da área, a bola resvalou no brasileiro Marcelo e deslocou o goleiro Casillas, marcando 2x1 para o Barcelona. O Real Madrid esboçou uma reação e criou mais uma boa oportunidade de gol. Uma bola levantada na área, Cristiano Ronaldo cabeceou livre, para fora.

Aos 20 minutos saiu o terceiro gol do Barcelona, acabando com qualquer esperança para o time madrilhenho. Novamente Messi arranca pela intermediária e passa para Daniel Alves que cruza, na medida, para Fábregas fuzilar de cabeça.

O técnico José Mourinho, do Real, procedou suas três substituições, tentando uma reação, a principal delas foi a entrada de Kaká, no lugar de Ozil. O brasileiro fez algumas boas jogadas, mas não conseguiu mudar o panorama da partida.

No final, o Barcelona ainda conseguiu criar ótimas chances de gol e por pouco não amplia o marcador.

As duas equipes tiveram as seguintes formações:

REAL MADRID: Casillas; Coentrão, Pepe, Sergio Ramos e Marcelo; Lass Diarra (Khedira) e Xabi Alonso; Di María (Higuaín), Ozil (Kaká) e Cristiano Ronaldo; Benzema

BARCELONA: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol e Abidal; Busquets, Xavi e Iniesta (Pedro); Alexis Sánchez (David Villa), Messi e Fábregas (Keita)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lupi caiu e o Pimentel já subiu no telhado. A fila anda...


Sétimo ministro a cair no governo Dilma, sexto por denúncia de corrupção, Carlos Lupi, resistiu durante um mês, quando presenciamos um vendaval de denúncias publicadas na imprensa e um festival de besteiras pronunciadas por ele na televisão, que deixaram claro para todo o Brasil, o seu despreparo para o cargo. Suas declarações, tentando se defender, foram grosseiras, preconceituosas e inoportunas.

Malandramente, ele escolheu um domingo em que todo o país estava com sua atenção voltada para a rodada final do Brasileirão, para apresentar sua carta de demissão. Não adiantou, houve grande repercussão na mídia.

Menos de quarenta e oito horas depois, surge o novo escândalo: o ministro Fernando Pimentel é acusado de ter recebido R$ 2 milhões nos anos de 2009 e 2010, período após deixar a prefeitura de Belo Horizonte e assumir o Ministério do Desenvolvimento, com a prestação de serviços de consultoria.

É impressionante a sucessão de denúncias contra os ministros do atual governo. Aliás, Pimentel furou a fila, pois o nome da vez vinha sendo o ministro das Cidades, Mario Negromonte (PP), acusado de envolvimento em possível cobrança de propina como taxa de inscrição no Programa Minha Casa, Minha Vida por organizações não governamentais (ONGs). Há também a acusação de que a diretora de Mobilidade Urbana do ministério, Luiza Gomide teria alterado parecer técnico que vetava a mudança do projeto do governo de Mato Grosso de trocar a implantação de uma linha rápida de ônibus (BRT) pela construção de um veículo leve sobre trilhos (VLT). A mudança aumentaria os custos da obra em R$ 700 milhões e faz parte do projeto de infraestrutura da Copa do Mundo.

Voltando ao caso Pimentel, uma das empresas atendidas pela sua consultoria teria sido vencedora em uma licitação da prefeitura da capital mineira após a saída de Pimentel do cargo. Certo é que o grupo da construtora Convap, um dos clientes da empresa, obteve no período, dois contratos de R$95,3 milhões com o municipio.
O jornal O Globo, na edição de hoje, informa que o seu sócio na empresa de consultoria, Otílio Prado, foi seu assessor na Prefeitura e lá continua até hoje, assessorando o novo prefeito. O mesmo jornal já havia informado, ontem, que a empresa de Pimentel e Otílio recebeu R$400 mil da QA Consulting, que pertence a um dos filhos de Otílio Prado.

A oposição tentou, sem sucesso, aprovar na Câmara dos Deputados, a convoção do ministro para prestar esclarecimentos, mas o PSDB pediu, nesta quarta-feira, que o Ministério Público abra investigação para esclarecer o caso.

O ministro se defende, negando que tenha realizado tráfico de influencia e afirmando que não ocupava, na época, nenhum cargo público e que as empresas atendidas por ele não têm relações com o governo federal.

Este caso, muito parecido com o do ex-ministro Palocci, ainda vai render muitos desdobramentos e pode ter o mesmo desfecho.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Salve o Corinthians ...


Quando a CBF teve a coragem de alterar o sistema de disputa  do Campeonato Brasileiro, a partir de 2003, instituindo os pontos corridos,  houve muita reação. Liderados pela Rede Globo, muitos comentaristas esportivos protestaram, alegando que a competição perderia interesse, já que não haveria uma final de campeonato e caso um time disparasse na liderança, o campeonato ficaria sem graça, sem motivação.
Ledo engano. Hoje o campeonato brasileiro está muito mais emocionante  que na época que existia aquela fórmula esdrúxula, que começava por pontos corridos e terminava num mata-mata, onde o oitavo colocado poderia se tornar campeão, como aconteceu com o Santos em 2002. 
Na verdade o interesse não se prende apenas a quem será o campeão, existem muitos outros interesses, como a participação do time na Copa Libertadores da América, na Copa Sul Americana e na permanência na série A.
Dessa forma, tivemos um final de campeonato maravilhoso, das dez partidas da última rodada, apenas uma não despertava interesse: América MG X Atlético GO.mento
A disputa pelo título ficou entre o Corinthians e Vasco e qualquer que fosse o desfecho, o título ficaria em boas mãos. Ficou com o timão, que obteve, ao longo do campeonato, o maior número de vitórias, o ataque mais positivo, o menor número de gols sofridos e o melhor saldo de gols, neste item ao lado do Vasco, além de ter liderado a competição por 27 rodadas. Portanto, foi muito justa a conquista.
O campeonato disputado por pontos corridos, com cada time jogando contra todos os outros, em seu estádio e no estádio do adversário, torna o resultado final inquestinável.
Paralelamente tivemos a luta de Flamengo, Internacional, Figueirense, Coritiba , São Paulo  e Botafogo para a  vaga na Taça Libertadores. Deu Flamengo e Inter.
As duas vagas que restavam na Zona do Rebaixamento foram disputadas por Cruzeiro, Ceará e Atlético PR. Aí não houve emoção, pois o Cruzeiro liquidou seu arqui-rival Atlético Mineiro já no primeiro tempo vencendo por 4x0. Ao final do jogo o resultado foi ainda mais elástico: 6x1. Uma goleada histórica e humilhante, ratificando a nítida superioridade dos azuis sobre o Galo. Nos últimos 50 jogos, houve 26 vitórias do Cruzeiro, 12 vitórias do Atlético e 12 empates.
Lamentável foi o Cruzeiro ter feito uma campanha ridícula, chegando ao final do campeonato precisando vencer a última partida para se salvar do rebaixamento.
Salve o Corinthians, Campeão dos Campeões...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Marcos Valério, operador do Mensalão, volta a ser preso


Há poucos dias, a divulgação de que o famigerado Marcos Valério, suposto operador da mais noticiada rede de corrupção e desvio de dinheiro público dos últimos anos, havia voltado às suas atividades de lobista, juntamente com os seus sócios da empresa DNA Propaganda e circulava livremente, entre os órgãos do governo federal, surpreendeu muita gente. No imaginário popular Marcos Valério deveria estar preso ou, pelo menos, impedido de continuar com suas manobras ilícitas. Hoje sai a notícia de sua prisão e de seus sócios Ramon Hollerbach, Francisco Marcos Castilho Santos e Margaretti Maria de Queiroz na operação “Terra do Nunca” da Polícia Civil da Bahia, acusados de fraude em registros públicos de imóveis no interior da Bahia, que eram usados como garantia para empréstimos.

O juiz de Direito da comarca de São Desidério (BA) assinou vinte e três mandados de prisão, busca e apreensão. Quinze pessoas já foram presas nesta sexta-feira em Minas, São Paulo e Bahia.

O que impressiona neste caso é o reflexo da lentidão da justiça brasileira, que demora tanto a julgar um crime, que dá ao criminoso a chance de continuar seus delitos, impunemente.

O caso de Marcos Valério é apenas mais um. Existem outros até mais graves, como o caso do motorista de caminhão que atropelou e matou um motociclista, no mês passado, na Serra (ES) ao dirigir bêbado como foi visto em vídeo exibido pelo jornal Nacional. Ele já havia sido preso em 2010, após atropelar e matar outro motociclista, dessa, em Vila Velha (ES). Mais uma vez ele estava completamente bêbado.

Os pais da vítima do acidente de um ano atrás não se conformam com a impunidade do motorista. "Não tem como você aceitar que uma pessoa que cometeu um erro há um ano e meio, venha a cometer o mesmo erro, na mesma íntegra. Ele sofreu punição nenhum, nem teve a CNH apreendida", diz José Santos Stofel, pai do motociclista Eduardo Gonçalves.

No primeiro acidente ele foi preso, pagou fiança e aguardava o julgamento em liberdade, quando cometeu outro atropelamento e morte. Lamentável.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Vasco já é o grande vencedor de 2011


Falta apenas uma rodada para o término do campeonato brasileiro de futebol de 2011. Depois de trinta e sete emocionantes rodadas, o título será decidido entre Vasco e Corinthians no próximo domingo. O Vasco enfrenta seu arqui-rival Flamengo no estádio “Engenhão” e o Corinthians o seu, não menos rival, Palmeiras, no Pacaembu. O time paulista com mais probabilidade de levantar a taça, pois acumula dois pontos sobre o esquadrão da Colina, como os antigos narradores de futebol costumavam chamar o time de São Januário.

Os dois pontos de vantagem permitem ao Corinthians, mesmo perdendo seu jogo, terminar a competição com título, caso o Vasco perca ou empate sua partida.

Ao Vasco caberá a tarefa de ganhar o seu jogo e torcer pela derrota do Timão.

Posto isso, vamos explicar porque o Vasco já é o grande vencedor de 2011.

O time começou o ano fazendo uma campanha ridícula no campeonato carioca, correndo o sério risco de rebaixamento para a segunda divisão dessa competição.

O primeiro turno foi péssimo, no segundo já houve uma recuperação e a partir daí o time foi crescendo e disputou a final do segundo turno do campeonato, denominado Taça Rio com o Flamengo, perdendo nos pênaltis.

Paralelamente o time disputava a Copa do Brasil, que teve continuidade após o inicio do Campeonato Brasileiro, mesmo assim o Vasco jogou a maioria das partidas com seu time principal e terminou como o grande campeão, já assegurando sua participação na Taça Libertadores da América de 2012.

Quando isso acontece, o time campeão da Copa do Brasil perde a motivação pela disputa do campeonato brasileiro, o que provoca uma participação quase sempre apagada. Mas o Vasco não teve esse comportamento, pelo contrário, disputa o campeonato com muita disposição.

Aí veio a Copa Sul Americana, cuja maior importância se prende ao fato de possibilitar ao vencedor disputar a Copa Libertadores no próximo ano.

Ora, o Vasco já havia assegurado esta participação com a conquista da Copa do Brasil, além disso, estava bem no campeonato brasileiro, sendo razoável que não desse importância a essa competição, como fizeram os outros times brasileiros, como Flamengo, Botafogo, São Paulo, Palmeiras, etc.

Novamente o Vasco contrariou todas as expectativas e disputa a Sul Americana para valer, para ser campeão.

Neste ponto acontece o trágico AVC (Acidente Vascular Cerebral) em seu técnico Ricardo Gomes, que o afasta da direção do time até o fim do ano.

Quando todos esperavam que o Vasco fosse contratar outro treinador, ele manteve o auxiliar técnico e continuou brilhando nas duas competições, provando que é perfeitamente possível atuar em duas frentes concomitantes.  

Por tudo isso, mesmo se o time não conquiste nenhuma dessas competições, embora tenha chegado bem perto, já é um grande vencedor, um time de garra, de raça, que engrandece o futebol brasileiro.